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  Artes
AS ARTES DE CRISTINA

A cidade de Cristina está plantada numa região de solo rico e clima espetacular, com regime de chuvas equilibrado; erguendo-se a quase mil metros de altitude, em plena Serra da Mantiqueira, fica numa região cafeeira que produz grãos especiais.  Além das safras de cafés de primeiríssima qualidade, na maioria destinadas à exportação, Cristina - batizada há 200 anos em homenagem à Imperatriz Teresa Cristina - tem uma arquitetura histórica bem preservada e uma forte cultura popular no artesanato. Essa cultura desenvolveu e manteve viva ao longo dos anos a confecção de produtos muito diferenciados.  Desde 1999, além disso, a cidade vive uma grande mudança trazida pela profissionalização do seu artesanato, numa iniciativa que transformou o bordado tradicional em peças de design contemporâneo através da consultoria especializada, em especial a mineira/carioca Angelica Viana (mais detalhes no Box).

O resultado desse trabalho - que inclui as hoje muito conhecidas peças de bordado sobre chitão - está chegando ao Rio de Janeiro numa mostra que o BNDES abriga em seu espaço térreo a partir de 27 de abril. São 70 peças, entre esculturas (muitas feitas de palha de café), vestuário (xales, bolsas, casacos), almofadas feitas de tecido, palha de café e outros materiais.  E não apenas as mulheres participam: muitos dos homens da cidade se integraram à produção.

O artesanato ganha força: vira produção artística e atividade econômica

Há 11 anos, em julho de 1999, foi criada uma ONG - a Associação Beneficente Sara Kauage - destinada a otimizar a produção de artesanato em vários sentidos: o de criar mais opções de sustento à população em tempos de entressafra de café, para fortalecer a identidade local e para divulgar a cidade e suas formas de criação artística. O resultado foi uma intensa e produtiva profissionalização do artesanato local, que já trazia uma grande originalidade. As mãos que cultivam a terra agora também produzem profissionalmente peças artísticas com base nas tradições culturais da região. O artesanato virou moda e arte, com uma original confecção de casacos, xales, bolsas, esculturas de palha de café e objetos decorativos com baixo impacto ambiental. São mais de 300 famílias engajadas e este número continua crescendo.

O processo incluiu a realização de cursos e oficinas com especialistas convidados para a criação e o desenvolvimento de produtos exclusivos, com capacitação profissional e inserção no mercado. O artesanato, afinal, não exige grande investimento e é uma atividade que pode ser conciliada com outras atividades produtivas, não tem limite de idade, utiliza recursos naturais, valoriza saberes tradicionais, favorece a autoestima e abre novas perspectivas.

A preparação: as artes de Cristina ganham nova cara

O Projeto teve início com um Seminário para a população já envolvida com a produção artesanal e a realização de cinco oficinas.  Combinou-se a arte tradicional com novos materiais. As fábricas instaladas na região - em especial as de luvas industriais - geram resíduos de couro que passaram a ser utilizados nas peças; foi aproveitada a palha de café; o bordado e crochê, artes que passam de geração a geração, foram atualizados pelos especialistas em moda e design.

Angelica Viana, designer mineira radicada no Rio desde 1970, foi uma das maiores responsáveis pela transformação das peças produzidas pelas artesãs. Com passagens pelo México e por Brasília, onde começou o trabalho ligado ao artesanato, desde 2004 vem reformulando, a convite da Associação, a produção dos artistas de Cristina. "A ideia foi dar formas contemporâneas às artes tradicionais", conta ela, que levou a ideia do chitão bordado e da mistura de crochê com tecido. "Hoje em dia faço da matéria-prima de Cristina a base de todo o meu trabalho e aos poucos estou transferindo todo o know-how da pesquisa e da realização das peças para que eles possam fazer tudo sozinhos".  No Rio, peças com o material de Cristina podem ser encontradas em diversas lojas, como a Area Objeto e H. Stern.

Em breve, o site da Associação também vai comercializar a produção online.

A Associação Sara Kauage promoveu e coordenou a realização; a produção e execução são da Aldebaran e da Arco. O patrocínio é do Ministério de Ciência e Tecnologia e o apoio, do BNDES.

Mostra de peças artísticas, de moda e decoração produzidas pelas famílias do município mineiro

Espaço Térreo do BNDES
Av República do Chile, 100 - Térreo  - Centro - RJ
De 27 de abril a 21 de maio - segunda a sexta, de 8h às 19h
ENTRADA FRANCA

 

Assessoria de Imprensa . Luciana Medeiros
(21) 2294-4560 / 8139-0202 / 7825-3297 id 23*7721 - lucianamedeiros@verbovirtual.com.br

Data: 22/04/2010
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